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4.0, a revolução aliada

O que muitos ainda não entenderam é que mudarão definitivamente a cultura e a dinâmica dos negócios, o que só pode ser encaminhado de uma forma

Colunista Luís Rasquilha

Luís Rasquilha

09 de Outubro

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Artigo 4.0, a revolução aliada

Praticamente tudo tem se transformado ou está se transformando em 4.0, representando aquilo que é moderno, ou que, de alguma forma aparente, é uma versão nova, um upgrade de algo que já existia, sempre vindo acompanhado dos elementos que compõem a transformação digital. Muito se tem falado de 4.0 nas empresas industriais, mas é sabido que os princípios podem ser aplicados em qualquer lugar, sejam bancos, comércio, seguradoras, escolas, prestadoras de serviços diversos etc.

Atualmente são muitas as variáveis determinantes para alcançarmos as demandas exigidas por nossos clientes, mas todas possuem três elementos comuns: a centricidade na experiência do consumidor e do cliente, a velocidade pela qual as mudanças acontecem e a realidade digital em que vivemos. A economia de escala está dando lugar à customização em massa. E experiência do cliente passa, de verdade, a ser o nome do jogo.

PILARES DA  4.0

O que alguns ainda não entenderam é que tudo muda com a geração contínua de dados de equipamentos interligados entre si, através de uma rede. (Dados esses que são armazenados em nuvem para gerar um processo contínuo e analítico de informações). Isso serve a uma avaliação das condições de operação de tais equipamentos e a ajustes que possam ser feitos automaticamente, a fim de garantir a entrega dos parâmetros definidos inicialmente para o produto ou serviço demandado pelos clientes. Em outras palavras, uma vez coletados, esses dados são analisados e fazem com que módulos de ação independentes conectados em tempo real promovam os ajustes necessários, em todos os elementos que compõem a cadeia que está formada e sincronizada para entregar um produto ou serviço. 

Portanto, o mundo será dominado por novos modelos de negócio baseados em customização, forçando para que suas tecnologias de informação, sua infraestrutura e seus trabalhadores se habilitem a essa nova condição. Isso mudará definitivamente a cultura e a dinâmica do seu negócio, e de todos os demais, o que só pode ser encaminhado de uma forma: através da 4.0.

Com o passar dos séculos, a complexidade para atender à demanda humana vem aumentando, sendo que as diferentes revoluções industriais que experimentamos até aqui, vieram no sentido de atender aos anseios que a sociedade nos colocou. Foram respostas que nos impulsionaram busca a evolução. A 4a revolução industrial também veio no sentido de acabar com os limites entre os mundos digital, físico e biológico, criando um contexto onde as mudanças acontecerão de forma muito mais rápida do que acontecem hoje, fazendo com que a educação, empresas, governos e a sociedade busquem novas formas e políticas para lidar com esta realidade.

Temos que entender que definitivamente “já” estamos dentro da revolução, da 4a. revolução, da 4.0! Não é futuro, é realidade presente. E ela será o meio pelo qual vamos dar uma resposta à complexidade que o consumo digital nos trouxe. Ela vem no sentido de garantir que sua implementação seja algo que agregue valor, ampliando a inteligência e não somente, para automatizar postos de trabalho. 

Na prática, 4.0 deve ser a resposta da equação de produzir produtos únicos, de baixo custo e curto prazo de entrega em um ambiente de produção em massa, com fabricação individualizada em uma linha de envase ou embalagem.

Os modelos de negócio tradicionais estão mudando, o mindset digital deve prevalecer, e as pessoas, mudarão. Nesse sentido, quando se fala em gente, o principal vínculo que se busca alcançar é o da confiança, e neste caso, ao longo do tempo a relação do homem com as mudanças tecnológicas, máquinas e equipamentos sempre foi muito intensa, e a pergunta que sempre se faz é a seguinte: no final homens e máquinas, são rivais ou aliados? 

A perfeita compreensão dos ecossistemas de inovação aberta torna-se essencial para a 4.0, pois o acesso a tecnologias e modelos de negócio é  extremamente mais rápido e menos custoso na medida em que se define que as empresas podem (e devem) ampliar suas bases para inovação a partir do engajamento com ecossistemas virtuosos de inovação e empreendedorismo de alto impacto. 

Aparecem então atores tais como as startups e as instituições de ensino e pesquisa que, voltados a um modelo de colaboração avançado e que transforma os paradigmas da propriedade intelectual, viabilizam uma maior longevidade e competitividade para as empresas, com custos extremamente competitivos e um retorno no investimento (ROI) das atividades de P&D mais tangível.

Metodologias ágeis, estruturas organizacionais baseadas em processos, grupos e times multidisciplinares, com autonomia no processo de decisão de suas atividades relevantes ao atendimento de seus resultados, squads, estilo startup de gerir negócio, tudo isso virá com o pacote 4.0 para dentro de sua organização e neste caso, o perfil do profissional que se espera para atuar neste contexto é aquele que saiba lidar cada vez mais com a solução de problemas complexos, que tenha pensamento crítico e que seja muito criativo e ágil e cujo ambiente valorize a liberdade para criar e ousar .

Estamos vivendo em um ambiente onde, cada vez mais, os ciclos econômicos terão a dimensão próxima dos tecnológicos – ou seja, eles serão ciclos cada vez menores, com constantes mudanças, crises e disrupções! Nossas organizações devem ser, portanto, cada vez mais flexíveis, ágeis e colaborativas e apenas terão chances de sobreviver à nova jornada 0s profissionais com habilidades de cooperação e criatividade,  trabalhando em times multidisciplinares, os quais são verdadeiramente os novos heróis. Eles substituirão aquele indivíduo que ainda existe em algumas culturas, com a missão de “carregar o piano e receber os louros”

Além do que foi dito aqui, outros pilares que deverão ser reforçados são os das pessoas, da cultura, da ética e da centricidade no consumidor final (aquele que é localizado pelas redes sociais). E a 4.0 vai nos ajudar nessa travessia, com seus princípios tecnológicos básicos de IoT, computação cognitiva, geração e análise de dados (big data analytics) e segurança em sua gestão (da coleta à análise ao armazenamento). Sim, existem ferramentas suficientes para fazer a ponte entre as duas eras que estamos vivenciando neste momento da transformação digital. 

UMA ALIADA

Devemos realmente entender a revolução 4.0 como uma aliada que vai ampliar as fronteiras de nossa inteligência. Como um elemento que nos ajudará na melhoria do desempenho, na qualidade de vida no ambiente do trabalho. De novo, não se trata simplesmente de um elemento tecnológico, mas uma ferramenta essencial de longevidade do negócio. Muda a cultura interna e a organização como um todo, forçando uma revisão na forma como trabalhamos, nos organizamos, já que ela fará o papel da gestão e nós, o de desenvolvedores.

A 4.0 demandará cada vez mais a renovação de nossa educação, para que não sejamos engolidos pelo mundo digital; a ética, pautada pela construção de uma relação de confiança e transparência; e a simplicidade, pois nos ajudará a resolver as equações complexas que enfrentamos no dia-a-dia de forma criativa e colaborativa. 

Sendo assim, a pergunta que fica para o leitor é:

E você, como vai encarar a 4.0 em sua organização?

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Colunista Luís Rasquilha

Luís Rasquilha

CEO da Inova TrendsInnovation Ecosystem e professor da Fundação Dom Cabral (FDC), Hospital Albert Einstein e Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP).

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