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Tecnologia e inovação

3 min de leitura

A revolução tecnológica (não tão) silenciosa dos data centers

O futuro dos data centers está totalmente conectado à revolução da inteligência artificial. O investimento estratégico em IA é mais do que necessário para impulsionar a eficiência, inovação e sustentabilidade em todos os setores

Rodrigo Radaieski

13 de Novembro

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Artigo A revolução tecnológica (não tão) silenciosa dos data centers

Li recentemente uma pesquisa da Dell'Oro Group que prevê um aumento de 15% nos investimentos globais em ativos de longo prazo para data centers até 2027, ultrapassando meio trilhão de dólares nos próximos quatro anos. Apesar das previsões de desaceleração de ativos para esse setor, a emergência de novas tecnologias, como a inteligência artificial (IA), é capaz de trazer atenção para investimento em infraestruturas de colocations.

A previsão de gastos no mercado global de infraestrutura de IA, incluindo data centers, é de um crescimento anual de 44%, nos próximos seis anos, segundo a Data Bridge Market Research.

Nesse contexto, os data centers deverão rever suas estruturas para estarem adequados para receber e integrar a IA em suas infras. Além de servir como ferramenta, essa tecnologia também dependerá de racks e outros serviços deste setor.

Inteligência artificial na prática entre data centers

Como mecanismo, a inteligência artificial é capaz de automatizar e melhorar diversas atividades, como na segurança de prédios, ao analisar imagens e comportamentos, tornando possível a identificação de comportamentos suspeitos. De maneira mais estratégica, é possível usar esse recurso para aperfeiçoar a comunicação de dados, fazendo análise de desempenho da latência, para ajudar a fazer a gestão e entregar serviços com maior qualidade.

A adoção da inteligência artificial é uma demanda real para a Ascenty - e tem sido um grande impulsionador do mercado de DCs. Assim como a pandemia impulsionou o setor, através da necessidade de migração para a nuvem, a chegada de novas tecnologias vai ajudar na gestão de novos hardwares, que demandam um consumo energético muito maior do que já havia sido mapeado.

Com isso, podem vir mudanças também na forma de contratar serviços de uma operadora, levando em conta que os contratos cotados por rack e por consumo energético vão precisar de soluções de refrigeração muito específicas, que façam troca de calor mais próxima aos equipamentos para evitar superaquecimento e suportar a dissipação de calor.

Tenho observado o aumento na necessidade de racks com densidade igual ou superior a 60MW, uma tendência recém chegada ao mercado da América Latina, mas que já tem movimentado o mercado.

A manutenção preventiva desempenha um papel fundamental para evitar acidentes e na redução de ações desnecessárias. Quando se trata do ciclo de vida de equipamentos, a IA desempenha um papel crucial, estendendo-o por meio de análises mais precisas. Além disso, a aceleração da cadeia de suprimentos e a gestão de estoques são otimizadas, garantindo níveis mínimos para atender às demandas de cabos e fibras ópticas, minimizando desperdícios.

Na área de vendas, a inteligência artificial possibilita a conexão eficaz entre clientes e prospects, oferecendo sugestões de propostas personalizadas e identificando oportunidades. Em termos de seleção e recrutamento de pessoal, a IA contribui para melhorar o clima interno e promover ações como pesquisas de satisfação para aumentar o engajamento das equipes. Além disso, a geração de código automatizada reduz consideravelmente os erros humanos, especialmente no desenvolvimento de sistemas de conectividade.

Desafios da revolução

O Relatório sobre o Futuro dos Empregos 2023, do World Economic Forum, prevê que o número de analistas e cientistas de dados, especialistas em big data, especialistas em aprendizado de máquina de IA e profissionais de segurança cibernética cresça, em média, 30% até 2027. Esta é uma das maiores dificuldades enfrentadas, por ora, pelo setor: encontrar pessoas especializadas para fazer a aplicação de IA dentro de data centers. Na Ascenty, estamos criando uma política interna de capacitação, para formar e treinar profissionais qualificados, que nos ajudem a dominar essas novas tecnologias.

Em um mundo cada vez mais interconectado e impulsionado pela tecnologia, o investimento estratégico em inteligência artificial não é apenas uma opção, mas uma necessidade para impulsionar a eficiência, inovação e sustentabilidade em todos os setores. O futuro dos data centers está indiscutivelmente ligado à revolução da IA. É hora de dar um passo à frente e abraçar o potencial que a inteligência artificial oferece.

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Autoria

Rodrigo Radaieski

Rodrigo Radaieski é diretor de serviços na Ascenty, uma empresa Digital Realty e Brookfield, provedora de serviços de data centers e conectividade na América Latina.

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