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Capital catalítico: novas arquiteturas financeiras para gerar novos mercados

Capital catalítico é um modelo de financiamento essencial para abrir mercados, pois gera impacto socioeconômico, envolve concessões, flexibilidade e tolerância ao risco, se estruturando de forma diferente dos investimentos convencionais

Colunista Christimara Garcia e Efosa Ojomo

Christimara Garcia e Efosa Ojomo

14 de Janeiro

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Artigo Capital catalítico: novas arquiteturas financeiras para gerar novos mercados

O acesso a investidores e recursos é um dos maiores desafios que empreendedores das economias em crescimento enfrentam. Empreendedores que buscam inovações criadoras de mercado enfrentam um obstáculo ainda mais difícil.

Inovações criadoras de mercado transformam produtos complicados e caros em produtos simples e acessíveis para que mais pessoas na sociedade possam acessá-los. Essas inovações criam uma base para um crescimento econômico robusto, e não só retiram pessoas da pobreza, mas também as catapultam para a prosperidade.

No entanto, inovações criadoras de mercado requerem muitas vezes um tipo diferente de capital, uma vez que exigem que as organizações produzam, comercializem, vendam serviços e anunciem produtos para pessoas que historicamente não tinham acesso. Como tal, essas inovações são mais que apenas produtos ou serviços, são verdadeiros sistemas que muitas vezes requerem um aporte financeiro diferenciado.

Por exemplo, antes de empresas como a MicroEnsure entrar em cena, produtos básicos de seguros não estavam disponíveis para a maioria das pessoas em muitas economias em crescimento. Hoje, a empresa atende dezenas de milhões de pessoas antes consideradas não-consumidores em Gana, Quênia, Índia, Paquistão, Filipinas e Tanzânia. Para isso, a MicroEnsure precisou levantar milhões de dólares.

Encontrar o instrumento financeiro certo para construir os sistemas que sustentam inovações criadoras de mercado é muitas vezes um grande obstáculo para “criadores de novos mercados”, já que a maioria dos veículos financeiros tradicionais não são criados para construir sistemas. Eles são mais criados para escalar produtos e serviços. Uma abordagem de financiamento diferente poderia desbloquear oportunidades significativas que, de outra forma, seriam perdidas pelos investidores tradicionais.

O capital catalítico como solução

De acordo com o Catalytic Capital Consortium, o capital catalítico é o capital de investimento que é paciente, tolerante a riscos, de concessão e flexível, se estruturado de forma diferente dos investimentos convencionais. É uma ferramenta essencial para preencher lacunas de capital e alcançar amplitude e profundidade de impacto, ao mesmo tempo em que complementa o investimento convencional.

O capital catalítico proporciona impacto e desbloqueia o investimento convencional de várias maneiras, como ajudando a provar produtos novos e inovadores e modelos de negócios, demonstrando a viabilidade financeira de geografias e populações de alta necessidade; e crescentes esforços em pequena escala para que possam atrair investimentos convencionais. Assim, o capital catalítico pode assumir a forma de dívida, equity ou garantias.

O capital catalítico permite ainda que o investimento aportado impulsione o impacto profundo, especialmente na criação de novos mercados e na chegada a novos setores e geografias.

Investimento blended finance

O capital catalítico é um componente essencial de outros domínios mais amplos do investimento de impacto, como o blended finance, uma arquitetura financeira que combina fontes públicas ou filantrópicas para estruturar oportunidades de investimento com retorno de risco aceitável para o setor privado em mercados em crescimento.

Nos últimos anos, blended finance mobilizou cerca de US$ 161 bilhões em capital, sendo 46% destes recursos destinados a transações na África Subsaariana e 16% na América Latina e Caribe.

Finanças sob medida: a experiência brasileira

Permitir ou catalisar investidores que poderiam não ter feito um investimento e deixando de gerar um alto impacto requer novas soluções financeiras sob medida. A Din4mo, uma venture-builder brasileira, que visa construir um empreendedorismo inovador e ousado, desenvolveu novas soluções de estrutura financeira para facilitar a criação de novos mercados.

A Din4Mo e o Grupo Gaia, uma empresa da área financeira e certificada como “BCorp”, se uniram para desenvolver a primeira debênture de impacto social do Brasil. O título foi concebido a partir do conceito de blended finance como uma solução para dois grandes gargalos da criadora de novo mercado, Vivenda, especializada em reformas de casas: capital de giro e crédito para clientes de baixa renda. A operação permitiu que a empresa levantasse R$ 5 milhões com o potencial de impacto de cerca de 32 mil pessoas em cinco anos.

Até que as pessoas em todo o mundo tenham acesso universal a produtos e serviços que podem melhorar suas vidas, sempre haverá uma oportunidade de mercado para direcionar não-consumos com produtos simples e acessíveis.

Agora, mais do que nunca, com tantas pessoas lutando para sobreviver, os investidores têm a oportunidade de capacitar empresas, como a Vivenda e muitos outros, e reduzir o desemprego apoiando empreendedores em dificuldades em mercados em crescimento que visam o não consumo através de novas arquiteturas financeiras como a blended finance usando o capital catalítico.

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Colunista Christimara Garcia e Efosa Ojomo

Christimara Garcia e Efosa Ojomo

Efosa Ojomo é um pesquisador sênior no Clayton Christensen Institute, onde lidera a pesquisa do núcleo de Prosperidade Global. Já Christimara Garcia é a fundadora da Catalyze Innovations Initiative, um Action Tank com a missão de promover inovações criadoras de novos mercados no Brasil. Efosa e Christimara desenvolvem uma parceria entre o Clayton Christensen Institute e a Catalyze Innovations Initiative com o intuito de ilustrar o poder que as inovações criadoras de mercado têm sobre organizações e sociedade na promoção de desenvolvimento socioeconômico e da prosperidade.

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