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Estratégia

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Covid-19: reparar, repensar, reconfigurar e recomeçar

As organizações precisam de estratégia para ter esperança – e de uma estratégia eminentemente nova.

Norberto Tomasini

20 de Agosto

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Artigo Covid-19: reparar, repensar, reconfigurar e recomeçar

Quatro verbos simples: reparar, repensar, reconfigurar e recomeçar. Mas, por trás deles, a necessidade de um novo mindset e de fluidez organizacional.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho observou em seu monitor dos impactos da Covid-19, em 29 de abril, podemos ter “quase 1,6 bilhão de trabalhadores na economia informal (...) duramente afetados em sua capacidade de ganhar seu sustento”. 

Para os países, esse número representa um custo humano devastador e um fardo adicional, pois eles já vinham convivendo com desafios fiscais crescentes. Para as empresas, o desemprego afetará a capacidade da base de consumidores de comprar bens ou serviços, pagar aluguéis e saldar dívidas.

Então, vamos aos verbos (e ao que está por trás deles). Pois são a resposta possível a tudo isso.

Reparar

O imperativo primordial de curto prazo é consertar o que foi quebrado. 

Os governos, enquanto reparam os danos humanos e econômicos, lidam com o aumento da dívida nacional, uma base tributária reduzida e gastos maiores no curto prazo. Eles também terão que reparar os danos causados às contas pessoais de cidadãos, idosos e jovens.

As empresas, por sua vez, precisarão lidar com balanços muito mais fracos, quedas acentuadas de receita e, em muitos casos, cadeias de fornecimento enfraquecidas e bases de funcionários estressadas ou esgotadas. Cada um desses elementos exigirá uma triagem, para que as dificuldades organizacionais não persistam nem corroam qualquer chance real de uma recuperação rápida.

Repensar

A próxima etapa é começar a reimaginar a estratégia para um mundo pós-Covid-19 e adaptar-se rapidamente. Se ainda não estavam fazendo isso, as empresas precisam repensar seus modelos operacionais para torná-los suficientemente robustos para lidar com as disrupções decorrentes da situação atual. Como as cadeias de fornecimento funcionarão em um mundo no qual o transporte internacional pode ser paralisado? Como projetar modelos de negócios flexíveis para acompanhar a mudança nas circunstâncias?

Os países e as empresas ficarão em uma situação muito diferente como resultado dessa crise. Precisarão, portanto, de estratégias competitivas e colaborativas totalmente diferentes daquelas que talvez tenham imaginado há alguns meses. 

Tanto as nações quanto as organizações precisam repensar o que significa sucesso. O produto interno bruto e o lucro por ação têm sido nossas referências por décadas. Claramente, porém, precisamos de novas medidas de progresso material, social e ambiental que possam orientar nossos esforços.

Reconfigurar

O processo de repensar é concretizado com a reconfiguração das instituições públicas e empresariais. Isso representa um redesenho muito mais profundo das organizações do que o envolvido no esforço de reparação. A crise colocou em evidência a incômoda verdade de que várias instituições em todo o mundo simplesmente não estão preparadas para o século 21.

O que isso significa em termos práticos? Para lidar com a assimetria inerente à economia global, os governos terão que acelerar o desenvolvimento e a expansão das pequenas empresas em larga escala. 

Em certa medida, a reconfiguração também significa aproveitar as tendências que repentinamente ganharam força em resposta à pandemia, como a telemedicina, o ensino à distância e o trabalho remoto. Significa ainda abordar de maneira sistemática, e não circunstancial, questões como o foco mais local de cadeias de fornecimento.

As organizações precisam reconhecer as fortes pressões de localização que enfrentarão (em oposição à globalização) e repensar suas estratégias de tecnologia, de presença geográfica e de modelos de negócio para torná-las mais robustas. 

Elas precisarão, por fim, avaliar seus portfólios do ponto de vista dos produtos ou serviços necessários em uma economia muito diferente.

Recomeçar

Muitas organizações precisarão recomeçar de fato, porque foram forçadas a encerrar atividades por ordem do governo ou por razões financeiras, e o farão em um mundo transformado. Isso exigirá as etapas habituais de qualquer começo: elaborar o plano de negócios, encontrar capital inicial, estabelecer a cadeia de fornecimento, contratar funcionários, analisar a experiência do consumidor para atrair novos compradores e trazer de volta os antigos e construir a marca. 

Novas camadas de complexidade, no entanto, serão adicionadas ao processo.

Tudo isso deve ser feito com um olhar atento para compreender os trade-offs e desenvolver a capacidade de enfrentar as disrupções que estão prestes a surgir.

A necessidade de recomeçar pode acontecer em qualquer ponto do processo “reparar-repensar-reconfigurar”. À medida que a incerteza aumenta em todo o mundo, esse processo se torna o “novo normal” (desculpem-me os que se cansaram dessa expressão): a próxima crise ocorrerá, e as organizações que não aprenderam as lições dessa experiência voltarão ao modo de recuperação.

AVASSALADOR GLOBAL

Uma das características notáveis da atual pandemia é a criação de uma experiência global comum de um evento avassalador. 

Como essa experiência pode gerar maior solidariedade e senso de propósito, a perspectiva de se adaptar a um novo mundo e prosperar nele é mais animadora. 

Esperança não é estratégia, mas estratégia pode dar esperança.

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Autoria

Norberto Tomasini

Norberto Tomasini é head de varejo da NTT DATA. Mais de 25 anos de experiência nas áreas de Operações e Tecnologia da Informação em empresas líderes como Natura, Telefônica, PricewaterhouseCoopers, ANATEL e Siemens.

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