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DAO brasileira quer trazer as mulheres para o mundo das NFTs

Conheça o project EVE, uma proposta inclusiva para o novo mundo das NFTs e da web 3.0, baseada em blockchain

Colunista Nina Silva

Nina Silva

19 de Abril

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Artigo DAO brasileira quer trazer as mulheres para o mundo das NFTs

Educação financeira e tecnológica, serviços de criptografia e leilões em benefício a artistas mulheres com contrapartidas sociais. Essas são algumas das ações iniciais do Project EVE. Voltada a integrar o universo feminino em torno dos desafios da chamada web 3.0, a iniciativa acaba de ser formada por um grupo de mulheres executivas, com ampla e diversificada experiência em tecnologia, cultura e mercado financeiro.

Essas áreas se complementam e são a base para ações voltadas ao desenvolvimento do mercado de NFTs (sigla em inglês para token não fungível, que representa algo único). O principal objetivo do Project EVE é ampliar a participação feminina em todas as pontas desse novo mercado digital – como criadoras, produtoras, consumidoras ou investidoras.

A web 3.0, ancorada na tecnologia blockchain e no conceito da descentralização, é nova mas chega carregando consigo um velho problema: o desafio de representatividade. Somente 4% desse universo são ocupados por mulheres, sendo que, em 2021, a taxa de participação feminina no mercado de trabalho foi de 51,56%, segundo pesquisa da FGV-Ibre, com base em dados da Pnad Contínua disponibilizados pelo IBGE, em 2021.

Existe uma diferença entre a contribuição efetiva das mulheres para o cenário econômico e o seu eventual protagonismo e liderança nos movimentos. No mercado financeiro, o número de mulheres investidoras na B3, a bolsa de valores de São Paulo, passou a marca de 1 milhão, embora o ritmo do crescimento anual da participação feminina tenha caído quando comparado com o aumento da participação masculina. A participação de 26,2%, registrada em 2021, decresceu para 23,2% em março de 2022.

A ideia central

O Project EVE surge com a proposta de empoderar mulheres a compartilhar conhecimento e experiências em torno do mundo dos NFTs. Ela é uma DAO, sigla em inglês para “organização autônoma descentralizada”, o que significa que todas as ações da comunidade estão fundamentadas nos conceitos principais da web 3.0: descentralizar as informações, garantir a mais ampla segurança sem intermediários, ampliar o acesso e promover maior atuação e autonomia dos usuários. Está em consonância com as novas movimentações observadas na rede. “Estamos vivenciando transformações poderosas na internet, migrando da internet baseada na troca de informações para a uma baseada na troca do valor“, afirma Cintia Ferreira, uma das fundadoras do Project EVE.

Pilares do projeto: conhecimento aberto, independência financeira e ações sociais

A atuação do Project EVE divide-se entre três focos principais. O primeiro é o compromisso com a geração e o compartilhamento de conteúdo livre, aberto, fundamentado e de alta qualidade, de modo a contribuir para a formação e a capacitação de mulheres. Para a executiva de tecnologia Nina Silva, “a tecnologia deve ser feita por todas e para todas as pessoas, caso contrário não é funcional e muito menos inovadora”.

O segundo pilar é promover a independência financeira de todas as mulheres interessadas em atuar nesse mercado, aproximando-as de oportunidades e estimulando o seu desenvolvimento, seja posicionando adequadamente seus produtos no mercado mundial, seja gerando renda. “Falar de empoderamento feminino precisa passar, obrigatoriamente, pelas questões relativas à independência financeira das mulheres“, afirma uma das fundadoras, a empreendedora Roberta Antunes, sócia e chief of growth da fintech Hashdex.

Por fim, o Project EVE deve implementar ações filantrópicas a fim de apoiar projetos que colaborem com o combate às desigualdades de gênero. “A melhor forma de modificar algo é participando da sua transformação. Reclamar de um problema sem fazer nada a respeito não contribui para mudança”, afirma a especialista em investimentos Ana Laura Magalhães, autora do livro Invista depois de Ler.

Além desta colunista que vos escreve, e mais Roberta e Ana Laura, o Project EVE – ou EVE NFT, tem outras seis fundadoras, incluindo a empreendedora Cintia Ferreira e a cantora Paula Lima.

Web 3.0, NFT e metaverso

A ideia que está na base da tecnologia NFT é a atribuição de valor a uma identidade digital de ativos culturais e artísticos e a sua certificação como algo incontestavelmente original e exclusivo. Essa identidade digital única, que nenhuma outra pessoa tem, é o NFT (sigla para “non-fungible token” ou “token não fungível”), cuja autenticidade é garantida pela tecnologia blockchain.

Qualquer produto cultural pode ter um NFT, como obras de arte, composições, manuscritos, games, fotografias, filmes, projetos e ideias de design, embora os mais famosos hoje sejam memes da internet. Os NFTs serão necessários para compor o chamado metaverso, ambiente virtual coletivo, de imersão em uma realidade composta por avatares e ambientes gerados pela experiência tridimensional da realidade aumentada. A expectativa é que transações financeiras, compras e ações de relacionamento feitas hoje por meio de aplicativos e sites tenham o metaverso como ambiente principal.

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Autoria

Colunista Nina Silva

Nina Silva

É executiva de TI há mais de 17 anos, uma das 100 pessoas afrodescendentes com menos de 40 anos mais influentes do mundo e sócia-fundadora do Movimento Black Money.

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