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O antídoto para a crise da cadeia global de fornecimento

Executivo da Accenture aponta não uma, mas algumas soluções para enfrentar o “apagão das supply chains”, inclusive no Brasil

Rodrigo Oliveira

28 de Dezembro

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Artigo O antídoto para a crise da cadeia global de fornecimento

A pandemia deixou marcas profundas na cadeia global de fornecimento. Para driblar a alta do frete marítimo e a escassez de commodities, organizações do mundo todo foram obrigadas a reformular modelos operacionais em tempo recorde. Mas poucas conseguiram. Então, o que é preciso para melhorar a logística e reduzir o tempo de entrega das mercadorias?

Na análise de Flávio Barreiros, líder de supply chain e operations da Accenture, a orquestração de ecossistemas é uma das respostas. Isso significa integrar diferentes processos e agentes, abandonado a arquitetura linear das cadeias de valor. A partir de agora, a sobrevivência das organizações depende da capacidade de aprimorar o relacionamento com fornecedores. “O parceiro nem precisa ter a mesma vocação do que o seu negócio. Pense no transporte privado urbano. Motoristas de aplicativo passaram a fazer parte do processo de entrega de inúmeras empresas de retail”, exemplifica Barreiros.

A metamorfose do perfil de consumo também exige a transformação da área de distribuição. As pessoas passaram a comprar mais online. E nada indica a volta para um estado anterior de facilidade e conveniência. “As empresas não podem demorar para iniciar as suas jornadas de evolução. Elas não devem deixar para os próximos anos. É preciso fazer agora. E escalar rapidamente.”

Outra necessidade é adequar a rotina para atender a demanda crescente do “comércio em qualquer lugar”. Isso porque as transações não precisam iniciar ou terminar no mesmo espaço (ou canal). Por esse motivo, apostar em modelos de colaboração perdeu o status de escolha. Na verdade, trata-se de uma estratégia fundamental para superar os desafios impostos por uma crise sem precedentes.

Visão ecossistêmica

Compartilhamento de dados, clientes, tecnologia e conhecimento. Os ecossistemas estendidos de parceiros oferecem muitas vantagens. A principal delas é alinhar empresas diferentes em torno de uma mesma finalidade. Segundo pesquisa da Accenture, a colaboração multifuncional é responsável por potencializar inovação e aumentar o crescimento de receitas, além de permitir que empresas entrem em novos mercados e ganhem novos clientes.

“Essas novas relações de compra e venda aumentaram a capilaridade dos negócios. Quem seria capaz de imaginar que um restaurante sobreviveria a uma pandemia com a ajuda de um aplicativo?”, questiona Barreiros. Na verdade, assim como os marketplaces incrementaram a logística de distribuição dos pequenos negócios, a soma de forças operacionais é uma exigência para buscar o crescimento sustentável. E a tecnologia tem um papel importante nessa evolução.

Negócios responsivos

A digitalização acelerada do comércio alavancou a modernização de novas áreas destinadas ao recebimento, separação e envio de produtos – os chamados centros de distribuição (CDs). Por isso, o investimento em tecnologia é outro ponto fundamental. Aliás, o setor de logística é o que mais se beneficia da utilização de recursos tecnológicos.

A automatização de processos permite que a organização adquira um melhor controle da abordagem end to end. “As empresas querem ser responsivas. Não porque elas acham bonito, mas porque é um requisito para atuar de maneira ecossistêmica”, afirma Barreiros.

Além de tudo, aproveitar a inteligência artificial (IA) é uma forma de reimaginar o valor atribuído às pessoas. Muito se fala sobre a melhor previsão de estoque, visibilidade, produção e distribuição. Mas a transformação digital é determinante para as capacidades híbridas homem-máquina. "A tecnologia permite que a força de trabalho direcione a própria energia para atividades que a máquina não é capaz de desempenhar."

Corrida contra o tempo

Nos piores meses da pandemia, diversas fábricas e centros de distribuição fecharam as portas. Como resultado, houve um aumento significativo nos preços dos fretes para comércio internacional. Uma segunda consequência diz respeito ao acúmulo de atrasos no despacho de mercadorias. No Brasil, que tem as rodovias como principal modal de transporte, a pauta recorrente é o preço dos combustíveis.

Por conta da insuficiência de fornecimento alternativo, o mundo inteiro se concentrou nas mesmas rotas logísticas. Além disso, em relação ao Brasil, não há um processo consolidado acerca do last mile delivery. “Nos Estados Unidos, existe um locker para recebimento a cada dois quarteirões. Também existem drones para dar conta das entregas. A situação é outra”, comenta.

Na prática, existem dois mundos. De um lado, os negócios que são nativos digitais. De outra parte, companhias desesperadas para acompanhar o ritmo da digitalização. Quem nasceu digital se encontra em patamar mais elevado de maturidade operacional. Mesmo assim, grande parte das empresas avança rápido em busca de um lugar ao sol. O que elas precisam é velocidade.

Conforme Flávio Barreiros, líder de Supply Chain & Operations da Accenture, o foco principal é o aprimoramento da cadeia de valor. Para tanto, é preciso posicionar a tecnologia no centro da discussão estratégica. Esse movimento é o que realmente prepara as empresas para o futuro. “Não basta automatizar uma determinada linha de manufatura. É preciso elevar o patamar de orquestração digital”, completa.

O Fórum: Pensamento Digital é uma coprodução MIT Sloan Review Brasil e Accenture.

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Rodrigo Oliveira

É colaborador de MIT Sloan Review Brasil.

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