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Futuro

5 min de leitura

O piscar de olhos que nos leva para 2020

Viveremos o resto da vida no futuro e, nesse “contexto”, é preciso entender que tempo e informação são as variáveis críticas do sucesso

Colunista Luís Rasquilha

Luís Rasquilha

13 de Junho

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Artigo O piscar de olhos que nos leva para 2020

Começo minha colaboração com a MIT Sloan Management Review Brasil com um tema que regularmente abordo em aulas e palestras: a velocidade a que o mundo está rodando. Mais: a velocidade que o mundo adquiriu na última década e que tem impactado as nossas vidas e as nossas empresas.

Se pensarmos que o telefone levou 75 anos a chegar a 50 milhões de pessoas, a rádio 38 anos, a televisão 13, a internet 4, o iPhone (que completou 10 anos no início de 2017) apenas 3 anos e mais recentemente o Instagram 2 anos, o Angry Birds 35 dias e o Pokémon Go apenas 15 dias, temos uma ideia do que estamos vivenciando. Desde 2007 que demos início à já designada maior transformação da história da humanidade. Não pelo iPhone em si, mas pela forma como os smartphones entraram em nossas vidas mudando radicalmente a forma como nos comportamos. Hoje vivemos a era da convergência (designada também como quarta revolução industrial) onde conseguimos controlar tudo na palma da mão, através do infindável número de apps que diariamente utilizamos. Farmácia, supermercado, cinema, restaurante, escola, reunião, ida ao médico, entretenimento, estudo, atualização e tantas outras necessidades humanas estão hoje sendo resolvidas com o simples toque numa app. 

Pensar que há pouco mais de cinco anos seria impensável assistir-se aos fenômenos Uber, Spotify, Netflix ou Rappi (apenas para listar os mais conhecidos e regularmente utilizados como exemplo em palestras, workshops, seminários e aulas) ilustra bem a velocidade do mundo. Há 15 anos não existiam iPhone, Twitter, Instagram, Facebook, Alexa, Pinterest, Google Chrome, Netflix (streaming), Waze, youtube, Kindle, Apple Store ou iPad reforça esta minha convicção de que o mundo anda mais rápido. Sou do tempo da fita cassete, da disquete 1,44 ou da fita VHS. Trata-se de fenômenos recentes na história da humanidade, mas já pertencem às memórias de todos nós e aos museus de alguns lugares, e são risada garantida entre os mais jovens. A desatualização do conhecimento é constante, a intensidade da vida cada dia maior. Será pelo avançar da idade ou pela consciência de que quase 8 bilhões de pessoas no planeta estarão conectadas à internet nos próximos três anos? Ou ambas?

Nesta avalanche de conexão, conhecimento e convergência, a primeira reflexão que gostaria de deixar neste artigo tem a ver com a consciência que cada um de nós tem sobre a importância e o impacto que a velocidade deste mundo tem em nossas vidas e em nossos negócios. Precisamos decidir mais rápido, implementar mais rápido, corrigir mais rápido ainda, para manter um escopo de relevância. O futuro chegou! É hoje. Está aí. E é definido como o intervalo de tempo que se inicia após o presente e não tem um fim definido, sendo referente a algo que irá acontecer. Pela definição de Patrick Dixon sobre futuro (no acrônimo FUTURE), conseguimos definir os seis eixos que compõem o futuro: 

Fast – Velocidade: O ritmo em que tudo hoje acontece é bem maior que os de outros tempos. Basta ver a evolução das crianças ou da tecnologia por exemplo e compará-las com 10 ou 15 anos atrás para vermos que tudo anda de fato mais rápido. E a previsão é que assim continuará. A velocidade das coisas só tende a aumentar e a dificuldade de processar toda essa realidade rápida também. 

Urban – Urbanismo: o crescimento desmesurado das cidades no mundo tem alterado o conceito de metrópole para megalópole. As cidades concentram mais oportunidades, mais empresas, mais concorrência, mais poder de compra, mais oferta e mais desafios e por isso as pessoas tendem a se mudar cada vez mais para as cidades, abandonando os campos e lugares menores, transformando as megalópoles em autênticos aglomerados de prédios, carros e pessoas, influenciando decisivamente a qualidade de vida de todos. 

• Tribal – Tribalização: Para entender os consumidores, é necessário abandonar a tradicional segmentação geográfica ou psicográfica e focar atenção nos comportamentos tribais e estereotipados. As tribos e os grupos polissociais assumem relevância quando queremos entender quem pode ser  nosso cliente ou qual a dimensão do nosso mercado potencial. 

Universal – Universalidade: A beleza do mundo conectado está em aproximar culturas e pessoas, globalizar e universalizar. Hoje o que acontece em um lugar é imediatamente conhecido pelo outro lado do mundo, fruto da conectividade permanente. Por isso, é cada vez mais importante entender as culturas e entender outros países e povos, a fim de encontrar os pontos de contato e de universalidade, tornando mais fácil para nós o desafio de entender o futuro.  

• Radical – Radicalismo: Trata-se do extremismo positivo, ou seja, da coragem para desafiar o estado atual das coisas, pensar fora da caixa, arriscar, sonhar e conseguir olhar com outros olhos e outras perspectivas a realidade atual e o futuro que se aproxima.   

• Ethical – Ética: É o eixo que tempera a atuação geral no mercado, pois não vale tudo. Precisamos inovar, ser criativos e disruptivos, sim, mas respeitando as pessoas, o planeta e os vários agentes no mercado.  

Acrescentaria como tempero de tudo isso, ajustando a definição original de Dixon, um T de Tecnologia (talvez até no lugar da variável Tribal, incorporando-a). Não pela tecnologia em si, mas pelo impacto que ela gerou e continua a gerar em nossas vidas.

Estamos já no meio de 2019. Mas ainda “ontem” foi réveillon, carnaval, páscoa e dia da mãe. Estamos, pois, em um momento único da humanidade, no qual tempo e informação (catalisadora do conhecimento) são as variáveis críticas de sucesso. Passado só serve para aprender com ele, nada mais. Viveremos o resto da vida no futuro, que, por sinal, se aproxima bem rápido.  Por tudo isso já começo por desejar um Feliz 2020.

Imagem: Shutterstock.

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Colunista Luís Rasquilha

Luís Rasquilha

CEO da Inova TrendsInnovation Ecosystem e professor da Fundação Dom Cabral (FDC), Hospital Albert Einstein e Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP).

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