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Inteligência Artificial

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O valor da IA para os negócios

Estudos apontam que muitas empresas têm retorno positivo ao implementar soluções de IA. E isso vai além de benefícios financeiros

Thomas Davenport e Randy Bean

29 de Novembro

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Artigo O valor da IA para os negócios

Enquanto muitas empresas anunciam seus investimentos em inteligência artificial, algumas pesquisas indicam que as companhias já estão tendo retorno financeiro com a adoção da tecnologia. Aqui vale contextualizar. Mesmo com histórias de sucesso em IA , um dos desafios nos últimos anos tem sido que os projetos que envolvem a ferramenta tragam benefício econômico. Em um levantamento sobre inteligência artificial da MIT Sloan Management Review de 2019 e do Boston Consulting Group, por exemplo, 7 em cada 10 empresas relataram ter tido muito pouco ou nenhum retorno do valor investido em IA. Uma das razões para isso é que poucos projetos foram, de fato, implantados; muitos ficaram no nível da pesquisa. As implantações podem ser difíceis, pois geralmente exigem integração com sistemas e processos robustos, além de qualificação de funcionários e capacidade de dimensionar a tecnologia de IA.

Alguns anos depois, o cenário começa a mudar. Em uma pesquisa de 2022 feita com executivos seniores de dados e tecnologia da NewVantage Partners, 92% das grandes empresas relataram que estão obtendo retornos sobre seus investimentos em dados e IA. Isso é significativamente superior aos 48% apontados em um levantamento de 2017. A mesma porcentagem (92%) afirmou que está aumentando os investimentos em dados e IA, igualando ao índice de 2021. Vinte e seis por cento das companhias têm sistemas de IA em implantação – mais que o dobro dos 12% da pesquisa anterior. O estudo ainda perguntou aos entrevistados se suas organizações eram orientadas por dados, e apenas 26% disseram que sim. No entanto, isso não parece impedi-los de progredir em inteligência artificial.

Retornos sobre IA ao redor do mundo

Os entrevistados da pesquisa NewVantage representam, em grande parte, empresas norte-americanas. Mas outros levantamentos sugerem que empresas em todo o mundo também estão registrando mais valor com a IA. A pesquisa State of AI in the Enterprise, da Deloitte, realizada em 2021, descobriu que dois tipos de empresas estão obtendo valor de seus investimentos. Vinte e oito por cento dos participantes foram classificados como transformadores— companhias que disseram ter resultados positivos nos negócios e ter um número relativamente alto de implantações (seis, média) de IA acontecendo na organização. Esse grupo identificou e adotou amplamente as principais práticas associadas aos resultados de IA, incluindo ter uma estratégia de IA, construir um ecossistema em torno dela e implementar estruturas e processos organizacionais (como machine learning operations - MLOps, na sigla em inglês) para mantê-la em funcionamento, além de acompanhá-la.

Já o outro grupo que obteve valor, que representa 26% dos entrevistados, foi chamado de desbravadores. Segundo eles, tiveram bons resultados, mas um número menor de implantações. Eles também adotaram capacidades e comportamentos que levaram ao sucesso da IA, mas em menos projetos, e não escalaram no mesmo grau que os transformadores.

Ainda assim, isso representa mais da metade dos entrevistados globais que relataram ter tido resultados positivos com a ferramenta. Como observamos, é difícil ou impossível se beneficiar da IA sem implantá-la, mas esses resultados sugerem que não são necessárias muitas implantações para obter retorno.

Uma pesquisa global da McKinsey de 2021 também apontou que a adoção e o valor da IA estão aumentando. A McKinsey descobriu que o número de empresas que relatam a adoção da tecnologia em pelo menos uma função aumentou para 56%, acima dos 50% em 2020. Mais importante, o levantamento também indica que o retorno financeiro de IA está crescendo. A parcela de entrevistados que afirmaram pelo menos 5% dos ganhos atribuídos à IA aumentou para 27%, mais que os 22% da pesquisa anterior. Os participantes da pesquisa da McKinsey também relataram economias de custo significativamente maiores com a IA do que anteriormente em todas as funções, com as principais melhorias ocorrendo no desenvolvimento de produtos e serviços, marketing e vendas, estratégia e finanças corporativas.

E ecoando a pesquisa da Deloitte, a McKinsey descobriu que as práticas progressivas de IA estão sendo recompensadas. As empresas que observaram os maiores aumentos de ganhos com a IA não estavam apenas seguindo práticas que levam ao sucesso, incluindo MLOps, mas também gastando com mais eficiência em IA e aproveitando mais as tecnologias de nuvem.

Além dos benefícios financeiros

Também devemos mencionar uma interessante pesquisa de 2021 conduzida pela MIT Sloan Management Review e pelo Boston Consulting Group, que se propôs a avaliar não os benefícios monetários da IA, mas seus aprimoramentos culturais. Como ninguém (até onde sabemos) fez esse tipo de pergunta antes, não podemos fazer comparações com o passado.

Nesse levantamento global, 58% dos entrevistados que participaram de uma implementação de IA concordaram que suas soluções melhoraram a eficiência e a tomada de decisões entre as equipes. A maioria desse grupo (78%) também relatou melhorar a colaboração interna, dentro dos times.

A pesquisa descobriu que a IA gera benefícios estratégicos, principalmente em empresas que a usam para explorar novas formas de criar valor em vez de cortar custos. Aqueles que utilizam inteligência artificial para criar valor tiveram 2,5 vezes mais chances de sentir que essa tecnologia está ajudando a empresa competitivamente em comparação aos que disseram estar usando IA para melhorar os processos existentes; eles também tinham 2,7 vezes mais chances de acreditar que a IA ajuda a capturar oportunidades em setores adjacentes. É fácil ver como essas características podem se transformar em valor econômico.

Para aqueles que desejam que a atual “primavera da IA” floresça para sempre, tudo isso é uma ótima notícia. Ainda há espaço substancial para melhorias nos retornos econômicos da IA, é claro, e essas pesquisas abordam apenas percepções subjetivas. O maior obstáculo remanescente, de acordo com estudo recente com cientistas de dados, é que a maioria dos modelos de aprendizado de máquina ainda não foi implantada em ambientes de produção dentro das organizações. Empresas e líderes de IA ainda precisam trabalhar nessa questão.

No entanto, o fato de tantos líderes empresariais perceberem que suas organizações estão captando um valor substancial da IA é uma melhoria definitiva em relação ao passado recente e um forte sinal de que a IA está aqui para ficar no cenário dos negócios.

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Autoria

Thomas Davenport e Randy Bean

Thomas H. Davenport é professor de tecnologia da informação e gestão do Babson College, professor visitante na Saïd Business School de Oxford e membro da iniciativa MIT sobre economia digital. Randy Bean é CEO da NewVantage Partners e autor do livro Fail fast, learn faster: Lessons in data-driven leadership in an age of disruption, big data, and AI (Wiley, 2021).

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