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Soft skills do futuro para o profissional do agora

Tecnologias preditivas, o crescimento de novas competências e profissões, além de uma série de mudanças sociais, culturais e de hábitos individuais, reconfiguram a noção de carreira e de habilidades relacionadas ao comportamento humano

Lucedile Antunes e André Dratovsky

18 de Novembro

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Artigo  Soft skills do futuro para o profissional do agora

Estamos vivendo uma era de muitos avanços tecnológicos, que vão exigir novas capacidades para profissionais e empresas. A aplicação de ferramentas e soluções de inteligência artificial impacta e irá mudanças ainda mais expressivas para milhões de indivíduos, carreiras e milhares de negócios. Em síntese, de hoje para o futuro, será cada vez mais comum nos depararmos com máquinas inteligentes, com capacidade de aprender, raciocinar e decidir sozinhas.

Não é segredo para muitas pessoas que, segundo a International Association of Artificial Inteligence, os robôs já são capazes de compreender o contexto e extrair informações relevantes de uma conversa, planejar e otimizar, falar, interagir e responder adequadamente a um problema gerando frases e histórias, reconhecer um objeto, negociar, aprender padrões e seguir regras estabelecidas.

Nesse contexto, um mundo em transformação nos exige muita abertura ao desconhecido, para lidar com o não vivido. E isso nos desafia a dar novos contornos a diversas soft skills que nos serão fortemente exigidas, as competências essenciais para os novos tempos e habilidades do futuro para o profissional do agora.

Se pegarmos os últimos dez anos, o mundo mudou muito, imagina daqui para a frente. Quem vai fazer a diferença são aqueles profissionais que desenvolverem habilidades intrinsecamente humanas, as chamadas soft skills, e entender isso é essencial para se reinventar. Pensar além de diversas fronteiras e especificações, agora, é mais do necessário.

Redesenhar carreiras

O modelo clássico de carreira e evolução profissional que você conheceu está terminando e, à medida que as inovações avançam, esse formato de carreira e vida vai se redesenhando. A carreira linear, originada de um pensamento industrial, na qual o conceito trazido se pautava em primeiro fazer a sua obrigação e depois vem o descanso, foi traduzida por anos e anos, como a mentalidade ideal de carreira; ou seja, você sai da faculdade, entra como estagiário e vai galgando novos cargos até chegar ao topo. Depois se aposenta para então poder desfrutar do que angariou.

Hoje, o modelo de carreira passa a ser muito mais integral. É pautado no pensamento da era digital, no qual você pode fazer várias coisas ao mesmo tempo. A vida não é só trabalhar ou só relaxar, mas, fazer intersecções saudáveis equilibrando o trabalho com maior liberdade nas rotinas e entregando resultados, visar à saúde, à vida pessoal, aos estudos. Em outras palavras, construir uma carreira hoje consiste em integrar mais as diversas áreas da vida e interesses, buscando o equilíbrio e a felicidade.

Com o aumento da expectativa de vida e da longevidade, principalmente ocasionado pelos avanços da medicina e da obstinação altamente positiva em se ter uma vida saudável, o profissional agora irá construir sua carreira de uma maneira completamente diferente, baseada nas suas habilidades pessoais e não necessariamente fundamentado na sua área de estudo e nas hard skills. Muito provavelmente ele terá de seis a oito carreiras na vida.

Na esteira dessa mudança, é preciso olhar um pouco para o passado e ver que Alvin Toffler, escritor e futurista norte-americano, autor do best-seller A terceira onda, nos preparou para a realidade atual quando escreveu que o analfabeto do século 21 não será aquele que não conseguir ler e escrever, mas, aquele que não aprender a desaprender para reaprender.

De acordo com o Fórum Econômico Mundial, 65% das crianças de hoje vão trabalhar em atividades que ainda nem existem. Segundo estudos recentes da Deloitte, 80% das pessoas não têm as habilidades necessárias para 60% dos empregos dos próximos cinco anos.

Criativos, empreendedores e resilientes

Sim, essa é a cara da nova geração. Como preparar esses talentos e trazer as soft skills do futuro para dentro do contexto deles? Uma coisa é certa: qualificar pessoas é verdadeiramente olhar para o futuro e acompanhar as mudanças pelas quais passam o mercado de trabalho. A aquisição de habilidades não será mais um processo com fim, é o meio.

Neste momento, o mundo todo acompanha a COP26 que está comprometida em rever as políticas ambientais e propor novas formas de proteger e melhorar o ecossistema. Ao mesmo tempo, suscita e reforça a necessidade da qualificação de pessoas com novas habilidades justamente para pensar e executar essas metas de forma inovadora, garantindo um futuro próspero para todos.

Veja como tudo está interligado, educação profissional, meio ambiente e pessoas – este último o ator principal de todo o processo. De um lado, temos a incongruência do desequilíbrio entre a alta demanda de ofertas de vagas no mercado; do outro, a falta de mão de obra qualificada para ocupá-las. Nesse contexto, encontramos jovens destemidos, porém pouco preparados para os novos desafios. Calma lá, isso é um bom problema para se ter.

O mercado está aquecido, sedento por determinadas especificações, mas precisa de pessoas qualificadas. É certo que as empresas têm uma boa participação nisso, ao passo que compreendem o imenso potencial de investimento e impacto social que representa investir em educação profissional (soft skills), treinamentos e qualificação.

Estudo realizado pelo Adecco Group e pela The Boston Consulting Group chamado Future-Proofing the Workforce estimou que as empresas poderiam economizar até US$ 136 mil por colaborador, ao investir em requalificação e realocação, ao invés de demitir e recontratar alguém mais qualificado ou preparado para a transição.

A educação profissional, que visa o desenvolvimento humano antes de emprego e renda, não pode ser vista sob a ótica de custo e sim um investimento contínuo e sustentável na direção do futuro. O que te trouxe até aqui não necessariamente te levará daqui para frente, e isso é preciso estar na nova mentalidade que se espera. Desse modo, vamos em frente, temos muito ainda que fazer rumo à construção da nova economia.

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Autoria

Lucedile Antunes e André Dratovsky

Lucedile Antunes é especialista em soft skills, mentora, palestrante e fundadora da L. Antunes Consultoria & Coaching, autora dos livros Soft Skills: competências essenciais para os novos tempos e Habilidades do futuro para o profissional do agora.

André Dratovsky é CEO e fundador da Elleve, fintech de financiamento estudantil. É formado em administração de empresas pela ESPM.

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