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Marketing e vendas

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Sua marca e seu time precisam de um divã

Sim, você precisa se preparar para a nova demanda por uma atitude de impacto da iniciativa privada nessa nova sociedade pós a Covid-19

Ulisses Zamboni

12 de Junho

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Artigo Sua marca e seu time precisam de um divã

A nova norma gerada pela pandemia transformou as corporações do dia para noite em ‘startups’ já que os valores de um passado recentíssimo envelheceram rapidamente. O momento crítico que a comunidade global está passando criou mudanças indeléveis na forma como os indivíduos enxergam o mundo, se relacionam com o trabalho, amigos e família, além de como acessam, avaliam e compram as marcas. 

Não é só a humanidade que vive uma cisão de comportamento, mas também as empresas com suas relações de mercado. Novas formas da sociedade (sobre)viverem ao caos instalado estão emergindo a partir da adoção de novos padrões de consumo. Novas relações comerciais entre empresas surgiram como resposta a falta de liquidez do mercado. Enfim, parece que o cérebro reptiliano, aquele que nos faz ser responsivos e irracionais para sobreviver, vence outra vez. Para bom entendedor, esse é um retrato claro do Darwinismo adaptativo em último grau para o mundo corporativo.

O especialista em pensamento sistêmico da MIT Sloan School, Peter Senge, foi explícito em dizer que “a adaptação das empresas à nova norma vai depender de enxergarem (e processarem) as novas tensões sociais”. E, não, isso não é ruim.

É claro que as questões econômicas vão ficar mais complexas daqui para frente. É claro que o confinamento revelou, entre seus efeitos nocivos, questões de saúde mental a observar. Mas a tecnologia finalmente tornou a vida mais veloz, mais prática, de excelente sobrevivência remota e, portanto, começou a cumprir seu verdadeiro papel de facilitadora do cotidiano, como prediziam dezenas de futuristas até então frustrados. Referendando o artigo sobre a crise da Covid-19 no El Pais, escrito por Clayton Melo, “é como se finalmente o século 20 estivesse terminado agora, em 2020”.  

Dito isso, nenhum de nós hoje duvida que além da revisão financeira dos próprios negócios, não seja necessária uma revisão do comportamento empresarial.  As marcas deverão renovar suas ofertas de valor para a sociedade num projeto que envolve não só o marketing como também a própria cultura empresarial. Queiram ou não queiram, as empresas terão que se reposicionar rapidamente porque serão demandadas pela sua própria cadeia de valor, ou seja, de fora para dentro. Isso é tudo muito novo e é mais do que inevitável que as corporações ainda tenham seus olhares borrados para essa nova realidade.

Apesar da geração de executivos da geração dos millenials, atualmente em posição de liderança nas empresas, estar se destacando em gestão nesses novos tempos, a máquina corporativa ainda os puxa ao modelo mental “Taylor & Fayol” de produtividade vertical. Então, como romper esse paradigma? Qual o caminho para entrar na era do marketing de atitude? Qual a solução para verdadeira disrupção com a dinâmica do passado? 

Afirmo dizer que daqui para frente não haverá progresso se não houver o recrudescimento de uma perspectiva mais humana das (e nas) corporações, ou seja dentro e fora dela. O capital financeiro e o capital humano precisam ser confrontados nesse momento. E outras palavras, há um chamado social para que a humanidade consiga pensar acima do lucro. E, é por isso, que se faz necessária uma espécie de terapia corporativa que possa chacoalhar o modelo de pensamento da Revolução Industrial ainda depositado no DNA das empresas. 

Demover de posição o ‘core’ das lideranças de uma empresa e colocá-las alinhadas com os desejos da sociedade (consequentemente, com os desejos da cadeia de valor) é uma tarefa hercúlea e muito complexa, que não se executa apenas com o desejo e a vontade de fazê-lo. Requer técnica, ferramentas e método. Metodologias como a do Método Barret de avaliação de valores corporativos, que é usada há mais de 25 anos no mundo inteiro e tem se mostrado eficaz na construção de narrativas comportamentais fortes da corporação. 

Aliás, hoje é inescapável falar de lucro sem falar dos valores pessoais da empresa. Reconhecer a identidade e a persona das corporações e identificar com clareza seus comportamentos e atitudes é hoje condição de sobrevivência corporativa. 

Estamos falando de fazer marketing com atitude, com impacto, com propósito (olha de novo essa palavra já desgastada pelo mercado). A demanda por uma atitude de impacto da iniciativa privada nessa nova sociedade pós a Covid-19 está claríssima. E, com a velocidade da luz que corre a pós-modernidade, cada um de nós se sente devendo sem mesmo antes começar a trabalhar. Novos tempos. Novos desafios. Já procurou seu analista corporativo hoje?

Crédito da imagem: Shutterstock

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Autoria

Ulisses Zamboni

Ulisses Zamboni é publicitário, diretor do conselho da Associação dos Profissionais de Propaganda (APP), professor de estratégia da Miami Ad School – ESPM e membro do conselho editorial da MIT Sloan Review Brasil.

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