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Diversidade e inclusão

4 min de leitura

Você é interculturalmente competente?

Se está pensando em mudar de país, isso é urgente para você. Mesmo atuando aqui, as competências interculturais ajudam no desempenho, e está na hora de levá-las em conta

Colunista Daniele Botaro

Daniele Botaro

12 de Setembro

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Artigo Você é interculturalmente competente?

Nenhuma cultura jamais desenvolveu todas as potencialidades humanas; sempre selecionou certas capacidades mentais, emocionais e morais e mudou outras. Cada cultura é um sistema de valores que pode muito bem complementar os valores de outra” (Ruth Benedict)

Uma amiga me contou esses dias que seu pai, executivo experiente de uma multinacional de embalagens, acabara de aceitar o desafio de gerenciar uma nova fábrica da empresa nos Estados Unidos. Sua carreira como gestor de pessoas na filial brasileira havia sido tão bem-sucedida, que mesmo ele já estando aposentado, o presidente da empresa americana insistira para que ele fosse o líder à frente dessa nova operação. O que ele encontrou quando chegou foi uma fábrica moderna, bem equipada, com pessoal técnico super qualificado, mas com características de comportamento e gestão diferentes daquelas que ele estava acostumado a encontrar em suas equipes no Brasil. Outras leis trabalhistas, outras atitudes e comportamentos, outras expectativas, bem como outras maneiras de se comunicar. Diante dessa nova e complexa realidade, ele teve de se reinventar como gestor, já que não podia mais contar com sua principal habilidade que, segundo ele, era gerenciar pessoas. 

Quantas historias vocês conhecem de profissionais que se dedicaram em seus desenvolvimentos em busca de uma oportunidade de carreira internacional e, pouco tempo depois, de conseguirem o tão almejado objetivo, voltaram ao Brasil decepcionados? Acontece que no pacote de competências técnicas e de soft skills, raramente vemos o desenvolvimento de competências interculturais. Mas o que é isso?

Competência intercultural é definida geralmente como a capacidade de se comunicar e se comportar de maneira apropriada com pessoas culturalmente diferentes. Resumindo: é um conjunto de conhecimentos e habilidades para interagir com sucesso com pessoas de outros grupos étnicos, religiosos, culturais, nacionais e geográficos. Ser competente culturalmente significa entender códigos subjetivos, antecipar possíveis motivações de comportamentos específicos e reconhecer que diferenças culturais são ativos a serem valorizados e não obstáculos a serem superados. No caso das organizações, isso nos permite co-criar projetos e equipes que sejam inclusivas, eficazes e inovadoras. 

Mas mesmo quando não estamos pensando em uma mudança de país, nossas competências interculturais nos vão ajudar a trabalhar localmente. Eu, por exemplo, sou responsável pela estratégia de diversidade e inclusão (D&I) em oito países da América Latina e o que posso garantir é que a abordagem para cada um é totalmente diferente. O maior ganho que pude ter no último ano foi me dar conta de que a estratégia pode ser a mesma para todos, mas a tática precisa ser muito diferente. Temos os mesmos objetivos para nossos times nos oito países, mas a maneira de trabalhar ações, engajamento e conceitos, varia muito de país a país ou, até mesmo, dentro do mesmo país. Encontrar o que motiva as pessoas e o que faz sentido culturalmente para elas, me ajudou muito a entender como planejar ações práticas, treinamentos e campanhas de conscientização sobre o valor da diversidade.

Hoje, por exemplo, ideias que são lançadas pelos colaboradores no Brasil são compartilhadas com o time do México, adaptadas à cultura local e replicadas com significado para os residentes daquele país. Essa troca tem tornado a experiência muito mais satisfatória nas ações de D&I. Além disso, começamos a celebrar as diferentes culturas em cada localidade. O dia 7 de setembro será celebrado nos nossos outros escritórios da região com comidas típicas brasileiras, música e depoimentos de brasileiros que vivem nesses países. Dessa maneira, desmistificamos estereótipos de que todo brasileiro se interessa por isso ou aquilo e nos conectamos mais como indivíduos. Estudos mostram que essas ações proporcionam muito mais colaboração entre times e aumenta a eficiência no trabalho.

E se você ainda não teve chance de trabalhar com times culturalmente diversos, nunca é tarde para começar. Hoje com todas as ferramentas disponíveis para comunicação e trabalho remoto, pensar em formar um time geograficamente diverso pode trazer vários benefícios. Você pode ter acesso a talentos do mundo todo e que poderão agregar novas habilidades, além de você pode contar com perspectivas diversas que impacta diretamente seu potencial de inovação.

Se a diversidade cultural faz parte da equação, construir relacionamentos de confiança significa ter a mente aberta, curiosa e é importante aceitar e respeitar as diferenças dos outros. Se a construção de um relacionamento culturalmente inclusivo for priorizada, os resultados serão percebidos instantaneamente.

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Colunista

Colunista Daniele Botaro

Daniele Botaro

Head de diversidade e inclusão da Oracle para a América Latina, ela também é embaixadora da Gaia+. Foi empreendedora, e sócia-diretora, da Impulso Beta, consultoria especializada em programas de diversidade.

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