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Liderança

4 min de leitura

Inquietações e saltos: uma nova forma de pensar e agir

A aceleração das transformações tecnológicas e sociais torna insuficiente o aprendizado incremental dos profissionais e das organizações

Colunista Daniel Martin Ely

Daniel Martin Ely

15 de Fevereiro

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Artigo Inquietações e saltos: uma nova forma de pensar e agir

No atual cenário global, marcado por rápidas transformações tecnológicas e sociais, enfrentamos diariamente desafios que remodelam nossas abordagens tanto na vida pessoal quanto profissional.

Esse processo vem acompanhado de inquietações, que refletem uma necessária transição do pensamento linear para uma abordagem exponencial e adaptativa, essencial para navegar e prosperar em um ambiente cada vez mais complexo e conectado.

Primeira inquietação: tecnologias exponenciais convergentes

A evolução exponencial e convergente das tecnologias constitui minha primeira grande inquietação. Precisamos acelerar o entendimento sobre as oportunidades que delas advêm para o nosso crescimento pessoal e das organizações.

A convergência de tecnologias como inteligência artificial (IA), internet das coisas (IoT) e big data está revolucionando, por exemplo, o campo da saúde. Dispositivos que monitoram sinais vitais de pacientes em tempo real já são capazes de oferecer insights preditivos graças à IA e conectar-se a sistemas de saúde por meio de IoT, permitindo que médicos façam o acompanhamento remotamente e intervenham proativamente.

Isso representa um “salto quântico” na maneira como utilizamos a tecnologia, revolucionando a prevenção e o tratamento de enfermidades.

Segunda inquietação: capacidade de aprendizagem ainda incremental

A capacidade humana de aprendizado é incremental, o que torna lenta mudanças de mentalidade. Isso se exacerba diante das atuais transformações tecnológicas e sociais, cujo ritmo não somos capazes de acompanhar na mesma velocidade em que acontecem.

Esse descompasso, ao qual chamo de “lacuna exponencial”, nos obriga a priorizar o que faz sentido para nós e para os resultados de nossas organizações. O que não nos livra de conviver com certo grau de ansiedade (diretamente proporcional ao nível das incertezas) na medida em que aumenta a lacuna. Não é de se surpreender que isso se reflita nos elevados índices de ansiedade e depressão, especialmente notáveis no Brasil, conforme aponta a Organização Mundial da Saúde.

Terceira inquietação: modelos organizacionais ainda lineares

Minha terceira inquietação decorre da persistência de modelos organizacionais lineares em ambientes onde, por excelência, deveríamos aprender a pensar e agir de uma nova forma. Esse padrão se estende a empresas, escolas e universidades. Por mais de duas décadas, me desenvolvi dentro de um modelo tradicional de formação de executivos, com muitas ferramentas de gestão do século passado. Hoje muitas delas já não se aplicam ou falham em gerar os resultados desejados no contexto atual.

No caso de escolas e universidades, não é diferente. A maior parte segue com o mesmo modelo de ensino tradicional, colocando todos os alunos em uma sala de aula e oferecendo o mesmo conteúdo.

Quarta inquietação: percepção do mundo

Minha quarta inquietação deriva de como nossa percepção do mundo é moldada pelo que somos e pelas vivências que tivemos, muitas vezes limitando a capacidade de vislumbrar novas possibilidades.

Quando passamos a atentar para isso, nos damos conta das oportunidades que se apresentam todos os dias de conexão com o novo. Vem também a certeza de que o processo de transformação precisa começar pela nossa mudança enquanto indivíduos. Como líderes, fomos condicionados a ter todas as respostas, a demonstrar força. Mas hoje entendo que o mais importante é saber fazer as perguntas corretas e buscar as respostas por meio de conexões.

Mergulho, então, em um processo de aprender, desaprender, reaprender e compartilhar. Dou a partida para o que chamo de jornada do líder em transformação, uma viagem fascinante, que começa por me transformar, ajudar a transformar as organizações onde atuo, e a impactar o ecossistema em que estou inserido.

As novas demandas exigem verdadeiros líderes, aqueles que conseguem potencializar o melhor das pessoas e têm habilidades para construir as pontes necessárias para os processos de transformação, tanto cultural quanto digital.

Necessidade de “saltos quânticos” de desenvolvimento

Historicamente, o progresso em nossas carreiras demandava mudanças graduais. Degrau, por degrau. Agora a evolução precisa se dar em saltos - e, por vezes, sobre penhascos e sem qualquer rede de proteção.

O consultor indiano Ram Charan, uma das referências mundiais em liderança, afirma que o atual cenário exige mais “saltos quânticos” que movimentos incrementais. Segundo ele, esse tipo de salto acontece quando somos chamados para enfrentar desafios para os quais ainda não reunimos as competências necessárias.

Trazendo para a realidade das empresas: o novo contexto exige de nós, líderes de organizações tradicionais em transformação, a coragem de realizar esses saltos no desenvolvimento, mesmo sem garantias de onde vamos aterrissar.

O que, sim, temos a certeza é da necessidade de se adotar uma nova forma de pensar e agir. Nos próximos artigos, irei explorar profundamente temas como competências, dimensões da liderança e estratégia. O objetivo é promover reflexões sobre jornadas transformadoras, desafios do presente e prontidão para incertezas do futuro.

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Colunista

Colunista Daniel Martin Ely

Daniel Martin Ely

Coluna de Daniel Martin Ely é vice-presidente executivo da Randoncorp, COO da Rands e conselheiro do CNEX - Centro de Excelência Humana e Organizacional e do Instituto Hélice de Inovação, além de presidente do conselho do Instituto UniTEA do Autismo. Mestre em estratégias organizacionais e especialista no desenvolvimento de lideranças, foi reconhecido nos últimos cinco anos como um dos RHs mais admirados do Brasil.

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